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Destaques

Venezuela, Clima e Energia: sinais de um novo ciclo de poder baseado no controle de recursos fósseis

"Sinais de um novo ciclo de poder baseado no controle de recursos fósseis." Por: Editorial NaqīKarbon .   Na madrugada de 03 janeiro de 2026, uma intervenção militar dos EUA na Venezuela — culminando no sequestro do presidente Nicolás Maduro — reconfigurou não apenas o equilíbrio geopolítico regional, mas também enviou sinais inequívocos aos mercados energéticos globais. Não se trata de um episódio isolado, tampouco de uma ação exclusivamente política. O movimento ocorre em um contexto mais amplo de reposicionamento estratégico dos Estados Unidos em relação à energia, à governança climática e à economia de baixo carbono. A Venezuela abriga uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Em qualquer leitura geopolítica séria, o controle — direto ou indireto — sobre territórios com alta densidade de recursos fósseis continua sendo um instrumento central de poder. A transição energética global, embora em curso, ainda não alterou completamente essa lógica. Ao contrário: em momento...

Como os algoritmos moldam o mito de uma "sustentabilidade impossível" (e seu impacto social)

Quando os algoritmos decidem: percepção, pânico e o mito da “sustentabilidade impossível”

Série: Carbon QuickNotes (#2)

Por: VictoriaAlves-Moreira, Fundadora da NaqīKarbon.

Entre dados e decisões, nasce uma nova ecologia da percepção — onde os algoritmos, espelhos dos valores de quem os cria, moldam o que entendemos por sustentabilidade.


Algoritmos e meios moldam narrativas; dizer que “sustentabilidade é impossível” vira um efeito colateral informacional — não uma verdade técnica. A sustentabilidade é, na realidade, o caminho viável para emprego, renda e qualidade de vida. No entanto, aqui reside uma questão crítica, frequentemente ignorada: os algoritmos não são entidades neutras.

Vivemos numa época em que o que pensamos ser “fato” muitas vezes nasce de um feed. Algoritmos de curadoria — combinados com incentivos editoriais e formatos virais — selecionam, amplificam e repetem narrativas. Quando essas narrativas pintam a sustentabilidade como um beco sem saída (“ser sustentável significa sacrificar produção, empregos e bem-estar”), o resultado prático é paralisia política, escolhas públicas equivocadas e medo social.

Como os algoritmos moldam essa percepção

  • Curadoria e prioridade: algoritmos decidem quais histórias, dados e opiniões chegam até nós;
  • Bolhas de filtro: usuários ficam presos em versões confirmatórias que reforçam o pessimismo;
  • Economia da atenção: formatos dramáticos e simplistas são premiados com alcance — complexidade perde;
  • Viés do caminho mais fácil: assim como é mais fácil calcular toneladas de carbono do que a saúde de um ecossistema, é mais fácil para um algoritmo amplificar uma narrativa fatalista e binária do que explorar soluções complexas e viáveis;
  • Circuito editorial–algorítmico: veículos influenciam sinais que as plataformas valorizam; o efeito é recíproco, cristalizando vieses em salas de board distantes da realidade local.

O dano da narrativa fatalista

Quando a percepção coletiva, programada por esses sistemas, assume que sustentabilidade = perda, quem perde são políticas públicas, investimentos em inovação e as próprias comunidades que poderiam se beneficiar de transições justas. O mito fortalece o status quo e marginaliza soluções que criam empregos verdes, renda estável e soberania local.

O oposto é a realidade prática

Sustentabilidade bem desenhada gera emprego, renda e qualidade de vida — não apenas “benefícios ambientais”. Pense em cadeias alimentares locais que valorizam pequenos produtores; em economia circular que cria microempresas de reparo e logística; em restauração de ecossistemas que assegura serviços como água e polinização essenciais para a produtividade. A verdadeira sustentabilidade é um alicerce que sustenta a vida—em todas as suas dimensões.

O que mudar na arquitetura informacional: por algoritmos com propósito

Para alinhar percepção com impacto real e escapar das armadilhas dos vieses, precisamos de uma arquitetura radicalmente diferente, onde algoritmos e veículos sejam:

  • Plural: priorizem diversidade e evidência robusta, não só engajamento. Suas entradas devem ir além do superficial, incluindo dados sociais, econômicos e vozes locais;
  • Participativo: não podem ser calibrados apenas por uma visão de mercado. Suas regras devem ser influenciadas pelas vozes das comunidades, produtores e detentores do conhecimento tradicional;
  • Transparente e auditável: a metodologia de curadoria não pode ser uma caixa-preta. Clareza sobre como uma narrativa é promovida é fundamental para construir confiança;
  • Adaptativo: um algoritmo inteligente aprende com o mundo real. Ele se ajusta com base no feedback das comunidades e nas novas evidências, evitando a cristalização de um viés inicial.

Conclusão — ética e escolha técnica: que futuro estamos programando?

A narrativa dominante não é inevitável: é construída. O desafio final não é técnico; é moral. A pergunta que devemos fazer é: "que rastro queremos que nossos algoritmos deixem na Terra?"

Podemos e devemos programar ecossistemas informacionais e econômicos que mostrem que sustentabilidade é um projeto de futuro com retorno social e econômico imediato. Sustentabilidade que não cuida das pessoas não é sustentabilidade — e sem ela não há futuro produtivo a ser herdado. O convite está feito. Vamos, juntos, programar um futuro que valha a pena ser herdado.

 

Leitura recomendada:

GBC Brasil. “Como as construções sustentáveis contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”. GBC Brasil. Disponível em: https://www.gbcbrasil.org.br/como-as-construcoes-sustentaveis-contribuem-para-os-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-da-onu/

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. “Notícia nº 389231”. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Disponível em: https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=389231

Em especial:

Odum, Howard T. & Odum, Elisabeth C. (2001). A Prosperous Way Down: Principles and Policies. University Press of Colorado. ISBN 978-0-87081-908-7.

🔎 Este texto faz parte da série Carbon QuickNotes, reflexões rápidas da NaqīKarbon sobre a crise climática e os desafios da descarbonização no mundo.


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