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Destaques

Venezuela, Clima e Energia: sinais de um novo ciclo de poder baseado no controle de recursos fósseis

"Sinais de um novo ciclo de poder baseado no controle de recursos fósseis." Por: Editorial NaqīKarbon .   Na madrugada de 03 janeiro de 2026, uma intervenção militar dos EUA na Venezuela — culminando no sequestro do presidente Nicolás Maduro — reconfigurou não apenas o equilíbrio geopolítico regional, mas também enviou sinais inequívocos aos mercados energéticos globais. Não se trata de um episódio isolado, tampouco de uma ação exclusivamente política. O movimento ocorre em um contexto mais amplo de reposicionamento estratégico dos Estados Unidos em relação à energia, à governança climática e à economia de baixo carbono. A Venezuela abriga uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Em qualquer leitura geopolítica séria, o controle — direto ou indireto — sobre territórios com alta densidade de recursos fósseis continua sendo um instrumento central de poder. A transição energética global, embora em curso, ainda não alterou completamente essa lógica. Ao contrário: em momento...

De Paris a Belém - 10 anos de COPs e o futuro da descarbonização

Da COP21 à COP30: o caminho até Belém

Dez anos entre promessas e realidade: como o Acordo de Paris se transformou em um teste global de integridade climática.

Por Editorial NaqiKarbon.

Texto por NaqīKarbon (background: freepik.com)

De Paris a Belém: como 10 anos de COPs nos levaram da esperança à necessidade de transformações reais

Ao longo da última década, as Conferências das Partes moldaram o rumo da política climática global. De Paris a Belém, o mundo saiu das promessas de cooperação e entrou numa corrida desigual pela transição energética — marcada por avanços diplomáticos, contradições econômicas e uma urgência crescente por justiça climática.

O Acordo de Paris (2015) inaugurou a lógica das contribuições nacionais voluntárias (NDCs) como motor da ação climática. Dez anos depois, relatórios e serviços climáticos indicaram que o aquecimento observado já aproxima-se de 1,5 °C em algumas séries de medição — evidência preocupante da distância entre metas e resultados concretos. Esse contraste entre compromisso e implementação é o fio condutor da última década de negociações. 


Diante desse cenário, a pergunta que marca o início da COP30 é inevitável: o que realmente aprendemos desde Paris? A resposta passa por uma década de avanços e contradições, em que a arquitetura institucional do Acordo se consolidou, mas a implementação ainda caminha em terreno desigual. É nesse percurso entre promessas e prática que se define o verdadeiro legado das COPs.

Síntese: como as negociações climáticas evoluíram — das promessas à implementação

Ao longo da última década, as conferências climáticas mudaram o foco: passaram de grandes pactos normativos para a tentativa — ainda incompleta — de transformar compromissos em ação concreta. Essa trajetória revela tanto avanços quanto lacunas persistentes na governança global do clima.

Consenso e nova arquitetura de governança

A adoção das NDCs ampliou a adesão e legitimou diferentes caminhos de mitigação, mas também transferiu o peso da ambição para os contextos nacionais, onde capacidades e prioridades variam. O período mostrou que ambição global só se concretiza quando há instituições domésticas estáveis e capacidade real de execução.

Da intenção à prática — o papel do setor privado

A mobilização de empresas e investidores trouxe inovação e recursos, mas também revelou limites. Sem regulação pública sólida, as iniciativas voluntárias tendem a ser fragmentadas e pouco transparentes. O aprendizado foi que a ação privada precisa ser orientada por regras públicas claras, capazes de garantir integridade e impacto real.

Adaptação, vulnerabilidades e voz dos afetados

Com o avançar das COPs, o debate ampliou-se para incluir adaptação e perdas e danos, colocando comunidades vulneráveis e povos tradicionais no centro da agenda. Ainda assim, o financiamento para adaptação continua imprevisível, o que evidencia que confiança e estabilidade financeira são pré-requisitos para políticas eficazes e duradouras.

Técnica e política — as regras operacionais

Avanços na criação de regras e indicadores trouxeram maior clareza sobre transparência e prestação de contas. Contudo, parte dessas decisões ficou excessivamente técnica, deixando de lado as disputas políticas e distributivas. A experiência mostra que mecanismos técnicos só funcionam quando acompanhados de escolhas políticas que enfrentem desigualdades estruturais.

Tensões sobre instrumentos de mercado

As discussões em torno dos mecanismos de mercado revelaram como divergências técnicas e políticas podem bloquear resultados práticos. Quando não há salvaguardas de integridade e justiça, esses instrumentos correm o risco de reproduzir desigualdades e corroer a confiança pública. O caminho mais seguro é combinar incentivos econômicos com parâmetros sociais e ambientais robustos.

Ambição declarada e limites domésticos

Houve momentos de renovada ambição, com revisões de metas e novos compromissos públicos. Mas a persistência de políticas nacionais contraditórias — como o apoio contínuo a combustíveis fósseis — mostrou o desalinhamento entre discurso e prática. A lição implícita é que revisões de metas só têm valor se acompanhadas de políticas internas consistentes e mecanismos reais de transição.

Reconhecimento das perdas e desafios de implementação

O reconhecimento institucional das perdas e danos foi um avanço político importante, ao dar visibilidade às responsabilidades históricas e às vulnerabilidades atuais. No entanto, transformar esse reconhecimento em financiamento previsível e governança legítima continua sendo o grande desafio. Palavras e promessas precisam se traduzir em estruturas de apoio concretas e verificáveis.

Diagnóstico técnico e contradições políticas

Os diagnósticos recentes são inequívocos: o mundo está fora da rota mais ambiciosa de mitigação. Ainda assim, investimentos e estratégias geopolíticas continuam a favorecer infraestrutura fóssil. Esse descompasso mostra que dados e ciência geram pressão, mas a mudança real depende de reequilibrar o poder político e financeiro, colocando a justiça climática no centro das decisões.

Financiamento no centro da política climática

Nos últimos anos, o financiamento se consolidou como eixo estratégico das negociações. Definir metas financeiras é um passo importante, mas insuficiente sem mecanismos de governança, rastreabilidade e adicionalidade. O desafio da próxima fase é transformar promessas em fluxos verificáveis e transparentes, capazes de gerar impacto real nas economias e nos territórios.

E agora, rumo à COP30 — Belém (2025)

Pela primeira vez, a maior conferência climática do planeta acontece na Amazônia. A escolha de Belém é simbólica: coloca o bioma amazônico no centro da agenda global e traz à mesa o desafio de construir soluções que respeitem não apenas o clima, mas também a cultura, a espiritualidade e a integridade dos povos da floresta.

A COP30 será o momento em que os países deverão apresentar novas NDCs alinhadas ao limite de 1,5 °C, a partir das conclusões do Global Stocktake. É o ponto em que o discurso climático precisa finalmente se traduzir em ação mensurável, rastreável e justa. Mais do que metas de carbono, a COP30 pode redefinir os fundamentos éticos da transição — incorporando noções de rastreabilidade, certificação responsável e impacto real nas cadeias produtivas.

Na NaqīKarbon, acreditamos que esse é o verdadeiro sentido da descarbonização: alinhar ciência, ética e tecnologia para gerar confiança e integridade em cada tonelada de CO₂ reduzida. Belém representa não apenas um novo ciclo de negociações, mas uma oportunidade histórica de reconectar a política climática à realidade da terra e das pessoas.

Faça o download grauito dos GUIAS da COP30 aqui

E aqui, tenha acesso integral do Acordo de Paris.

Estamos diante de uma emergência climática. De Paris a Belém, o mundo aprendeu que não basta prometer carbono zero — é preciso rastrear, medir e agir com integridade. 


Referências e leitura recomendada:

United Nations. (2015). 21st Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP21), Paris, France. 

United Nations. (2016). 22nd Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP22), Marrakesh, Morocco.

United Nations. (2017). 23rd Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP23), Bonn, Germany.

United Nations. (2018). 24th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP24), Katowice, Poland.

United Nations. (2019). 25th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP25), Madrid, Spain.

United Nations. (2021). 26th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP26), Glasgow, UK.

United Nations. (2022). 27th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP27), Sharm el-Sheikh, Egypt.

United Nations. (2023). 28th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP28), Dubai, UAE.

United Nations. (2024). 29th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP29), Baku, Azerbaijan: Outcomes of the Baku Climate Change Conference.

United Nations. (2025). 30th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP30), Belém, Brazil.

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